A campanha Abril pela Segurança do Paciente é uma mobilização nacional focada em reduzir riscos e eventos adversos na saúde. Foi neste mês, em 2013, que foi lançado o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Em 2026, o tema é “Qualidade, segurança e vidas protegidas: um compromisso permanente do SUS”, reforçando a cultura de segurança, a prevenção de infecções e a melhoria contínua da assistência.

Este tema, no entanto, pode ser trabalhado dentro ou fora do Sistema Único de Saúde. Fazemos aqui uma reflexão e te apoiamos nesta publicação: para garantir este compromisso, como você monitora suas ações de segurança do paciente? Quais são os indicadores de segurança do paciente que sua instituição frequentemente monitora, analisa e busca melhorar?

Mais do que cumprir protocolos, organizações de saúde maduras utilizam indicadores como ferramentas de gestão, capazes de traduzir processos em resultados concretos.

Mas afinal: quais indicadores realmente importam?

Ao analisar referências como OMS, ANVISA, ANS e instituições internacionais (como IHI e AHRQ), fica claro que existe um núcleo essencial de indicadores, amplamente reconhecido e utilizado globalmente.

Por que medir indicadores de segurança do paciente?

Indicadores não são apenas números para relatórios. Eles permitem:

  • Identificar riscos antes que causem dano
  • Monitorar adesão a protocolos críticos
  • Avaliar efetividade das barreiras de segurança
  • Apoiar decisões gerenciais baseadas em dados
  • Demonstrar maturidade para processos de acreditação (ONA, JCI, Qmentum, CHKS)

O que não é medido, não é gerenciado; e o que não é gerenciado, coloca o paciente em risco.

O painel essencial de indicadores de segurança do paciente

A seguir, apresentamos os principais indicadores utilizados por OMS, ANVISA, ANS e instituições de referência.

1. Higienização das mãos

Por que monitorar?
É a medida isolada mais eficaz na prevenção de infecções relacionadas à assistência.

Indicador: Adesão à higienização das mãos (%)
Fórmula: (nº de ações realizadas / nº de oportunidades observadas) × 100

Fonte: OMS – WHO Guidelines on Hand Hygiene in Health Care

2. Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC)

Por que é importante?
Reflete diretamente a qualidade do cuidado cirúrgico e das práticas de prevenção.

Indicador: Taxa de ISC (%)
Fórmula: (nº de casos de ISC / nº de cirurgias) × 100

Fonte: OMS; ANS – QUALISS

3. Infecção de corrente sanguínea associada a CVC

Por que é importante?
Evento grave, frequentemente evitável e muito monitorado em UTI.

Indicador: Densidade de incidência de IPCS-CVC
Fórmula: (nº de infecções / nº de CVC-dia) × 1.000

Fonte: ANS; ANVISA

4. Infecção urinária associada a cateter vesical

Por que é importante?
Relacionada ao uso inadequado e tempo prolongado de dispositivos.

Indicador: Densidade de incidência de ITU-CVD
Fórmula: (nº de ITU / nº de CVD-dia) × 1.000

Fonte: ANS; ANVISA

5. Quedas com dano

Por que é importante?
Impactam diretamente a segurança, o tempo de internação e a reputação institucional.

Indicador: Taxa de quedas com dano
Fórmula: (nº de quedas com dano / pacientes-dia) × 1.000

Fonte: ANS; ANVISA

6. Lesão por pressão adquirida

Por que é importante?
É um evento altamente evitável e indicador de qualidade do cuidado contínuo.

Indicadores principais:

Indicador: Incidência de lesão por pressão
Fórmula: (nº de novos casos / nº de pacientes em risco) × 100

Indicador: Densidade de incidência
Fórmula: (nº de casos / pacientes-dia) × 1.000

Fonte: ANVISA – Nota Técnica GVIMS/GGTES nº 05/2023

7. Segurança na prescrição e uso de medicamentos

Por que é importante?
Erros de medicação estão entre os eventos adversos mais frequentes no mundo.

Indicador: Reconciliação medicamentosa (%)
Fórmula: (nº de pacientes com reconciliação realizada / nº de pacientes elegíveis) × 100

Fonte: OMS – Medication Safety in Transitions of Care

8. Cirurgia segura

Por que é importante?
Evita eventos graves como cirurgia em paciente, procedimento ou sítio errado.

Indicador: Adesão ao checklist de cirurgia segura
Fórmula: (nº de cirurgias com checklist completo / nº total de cirurgias) × 100

Fonte: OMS – Safe Surgery Saves Lives

Nota: no caso de instituições que não possuem centro cirurgico, alterne o indicador para “Procedimento seguro” e monitore – dos procedimentos críticos – aquilo que precisa de checklist para evitar eventos adversso graves.

9. Eventos adversos (visão sistêmica do dano)

Por que é importante?
Permite enxergar o dano real ao paciente, além das notificações voluntárias.

Indicador: Eventos adversos por 1.000 pacientes-dia
Fórmula: (nº de eventos adversos / pacientes-dia) × 1.000

Fonte: IHI – Global Trigger Tool

10. Evento sentinela

Por que é importante?
Representa falhas graves do sistema e exige análise imediata.

Indicador: Taxa de evento sentinela
Fórmula: (nº de eventos sentinela / pacientes-dia) × 1.000
Meta: zero

Fonte: ANS

O que diferencia instituições maduras?

Organizações que se destacam em segurança do paciente não apenas medem indicadores, passam a ser integrante indicadores de processo e resultado, analisam tendências, monitoramem a efetividade das intervenções e engajam lideranças e equipes assistenciais. Indicador sem ação não gera segurança.

Se existe uma mensagem central para o Abril pela Segurança do Paciente, é esta: Segurança não é um protocolo, é um sistema gerenciado por indicadores.

Ao estruturar um painel consistente, alinhado às melhores práticas internacionais e nacionais, a instituição:

  • Reduz eventos adversos
  • Melhora desfechos clínicos
  • Aumenta a confiabilidade assistencial
  • Se prepara para processos de acreditação

Se a sua instituição está nesse caminho e precisa estruturar ou amadurecer seus indicadores de segurança do paciente, vale contar com especialistas.

A Acredite Assessoria em Qualidade é referência no apoio a organizações de saúde na implantação de sistemas de gestão, cultura de segurança e preparação para acreditação. Salve nosso blog e nos acompanhe nas redes sociais @acreditequalidade.

Fontes consultadas

As informações apresentadas neste conteúdo foram baseadas em diretrizes nacionais e internacionais amplamente reconhecidas na área de qualidade assistencial e segurança do paciente.

Organizações internacionais

Referências nacionais